Carta de Santa Teresinha a sua Irmã Leônia

18 09 2009

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Carta que  Santa Teresinha escreveu a sua irmã Leônia. Leônia é a úncia das irmãs Martin que não possui vocação Carmelita e sim Visitandina, segundo o espírito de São Francisco Sales e Santa Joana de Chantal. Leônia possui uma vida religiosa um tanto tumultuada. Entra na Ordem das Clarissas e ingressa por 2 vezes na Ordem Visitandina sem sucesso. Segundo uma profecia de sua Santa Irmã Teresinha, entra pela 3ª vez na Visitação de Caen de forma definitiva e  se destacará especialmente por sua humildade. A Santa havia profetizado que entraria na Visitação após sua morte e tomaria o seu nome e o de São Francisco Sales, o que aconteceu efetivamente após sua morte. Leônia entrou para a Visitação sob o Nome de Irmã Francisca Teresa.

Carta 191

J.M.J.T

Jesus +

 12 de julho de 1896

 Para Leônia.

Minha querida Leoniazinha,

Teria respondido à tua linda carta se ela me tivesse sido entregue a tempo. Mas nós somos cinco e tu sabes que sou a menor… Portanto, sou destinada a ver as cartas só muito tempo depois das outras ou então nem chegar a vê-las… Só vi tua carta sexta-feira, por isso, querida irmãzinha, não estou atrasada por culpa minha…

         Se soubesses como estou feliz por ver-te em tão boas disposições…

        Não estranho que o pensamento da morte te seja agradável, pois não estás apegada a nada na terra. Asseguro-te que Deus é muito melhor do que imaginas. Contenta-se com um olhar, um suspiro de amor… Quanto a mim, acho a perfeição fácil de praticar, porque entendi que é só pegar Jesus pelo Coração…Veja uma criancinha que acaba de aborrecer a sua mãe, zangando-se ou desobedecendo-lhe; se ela se esconder num canto com ar amuado e gritar por medo do castigo, certamente, a mãe não lhe perdoará a falta; mas se lhe estende os seus bracinhos  sorrindo e dizendo: “dê-me um beijo, não o farei mais”, poderá a mamãe não  apertá-la ao seu coração com ternura e esquecer e esquecer as faltas infantis?… Todavia ela bem sabe que seu querido filho recairá na próxima ocasião, mas isso não importa, se ele a prende de novo pelo coração, jamais será castigado…

         No tempo da lei do temor, antes da vinda de Nosso Senhor, o profeta Isaías já dizia, falando em nome do Rei dos Céus: “Pode, acaso, uma mãe esquecer o próprio filhinho, não se enternecerá pelo fruto das suas entranhas? Pois bem; ainda que uma mãe esquecesse o seu filho, eu, porém, jamais vos esqueceria”. Que linda promessa! Ah!  Nós que vivemos na lei do Amor, como não nos aproveitar dos amorosos convites que nosso Esposo nos faz… Como temermos Aquele que se deixa prender por um cabelo que esvoaça no nosso pescoço?…

        Saibamos então manter prisioneiro esse Deus que se faz mendigo do nosso amor. Ao nos dizer que é um cabelo que pode operar este prodígio, Ele nos mostra que as mínimas ações, feitas por amor, encantam seu coração…

         Ah! Se fosse preciso cumprir grandes coisas, como seríamos dignas de lástima!…Mas como somos felizes, pois Jesus deixa-se prender pelas mais pequeninas…

         Não te faltam pequenos sacrifícios, minha cara Leônia, tua vida está repleta deles… Alegro-me por te ver diante de tal tesouro e, sobretudo, sabendo que sabes aproveitar-te deles, não só para ti, mas também para as almas… É tão bom ajudar Jesus com nossos pequenos sacrifícios, ajudá-Lo a salvar as almas que Ele resgatou com Seu Sangue e que só aguardam o nosso auxílio para não caírem no abismo…

         Parece-me que se nossos sacrifícios são cabelos que cativam Jesus, as nossas alegrias também o são, para isso basta não se concentrar numa felicidade egoísta, mas oferecer a nosso Esposo as pequenas alegrias que Ele semeia no caminho da vida a fim de encantar nossas almas e elevá-las até Ele…

         Pensei em escrever para minha tia hoje, mas não tenho tempo. Fica para o próximo domingo. Peço-te para lhe dizeres quanto a amo, e ao meu querido tio.

         Penso muito em Joana e Francis. Tu me perguntas a respeito da minha saúde. Pois bem! Querida irmãzinha, não tusso mais. Estás contente?… Isso não impedirá Deus de vir me buscar quando bem entender; como me esforço muito para ser uma criancinha, não tenho muitos preparativos para fazer. Jesus  será obrigado a custear as despesas da viagem e o ingresso no Céu…

        Adeus, querida  irmãzinha, amo-te, creio, sempre mais…

 Tua irmãzinha,

Teresa do Menino Jesus.

Rel.Carm.Ind.*

______

  * Rel.Carm.Ing.: Significa: Religiosa Carmelita Indigna..

 

 

 





POESIA DE SANTA TERESINHA: viver de amor

15 09 2009

Esta poesia foi escrita por nossa querida Santa Teresinha do Menino Jesus em 5 de fevereiro de 1895 e no dia 9 de junho deste mesmo ano na plenitude de sua vida espiritual se oferece como Vítima ao Amor Misericordioso e escreve o Ato de Oferenda.  Depois o publicarei na íntegra.

 

Santa Teresinha

VIVER DE AMOR

No entardecer do Amor, falando sem figuras,
Assim disse Jesus: “Se alguém me quer amar,
Saiba sempre guardar minha Palavra
Para que o Pai e Eu o venhamos visitar.
Se do seu coração fizer Nossa morada,
Vindo até ele, então, haveremos de amá-lo
E irá, cheio de paz, viver
Em Nosso Amor!”
Viver de Amor, Senhor, é Te guardar em mim,
Verbo incriado, Palavra de meu Deus,
Ah, divino Jesus, sabes que Te amo sim,
O Espírito de Amor me abrasa em chama ardente;
Somente enquanto Te amo o Pai atraio a mim.
Que Ele, em meu coração, eu guarde a vida inteira,
Tendo a Vós, ó Trindade, como prisioneira
Do meu Amor!…

Viver de Amor é viver da Tua vida,
Delícia dos eleitos e glorioso Rei;
Vives por mim numa hóstia escondido,
Escondida também por Ti eu viverei!
Os amantes procuram sempre a solidão:
Coração, noite e dia, em outro coração;
Somente Teu olhar me dá felicidade:
Vivo de Amor!

Viver de amor não é, nesta terra,
A nossa tenda armar nos cumes do Tabor;
É subir o Calvário com Jesus,
Como um tesouro olhar a cruz!
No céu eu viverei de alegrias,
Quando, então, todo sofrimento acabará;
Mas, enquanto exilada, quero, no sofrimento
Viver de Amor!

Viver de Amor é dar, dar sem medida,
Sem reclamar na vida recompensa.
Eu dou sem calcular, por estar convencida
De que quem ama nunca em pagamento pensa!…
Ao Coração Divino, que é só ternura em jorro,
Eu tudo já entreguei! Leve e ligeira eu corro,
Só tendo esta riqueza tão apetecida:
Viver de Amor!

Viver de Amor, banir todo temor
E lembranças das faltas do passado.
Não vejo marca alguma em mim do meu pecado:
Tudo, tudo queimou o Amor num só segundo…
Chama divina, ó doce fornalha,
Quero, no teu calor, fixar minha morada
E, em teu fogo é que canto o refrão mais profundo:
“Vivo de Amor!…”

Viver de Amor, guardar dentro do peito
Tesouro que se leva em vaso mortal.
Meu Bem-Amado, minha fraqueza é extrema,
Estou longe de ser um anjo celestial!…
Mas, se venho a cair cada hora que passa,
Em meu socorro vens,
A todo instante me dás tua graça:
Vivo de Amor!

Viver de Amor é velejar sem descanso,
Semeando nos corações a paz e a alegria.
Timoneiro amado, a caridade me impulsiona,
Pois te vejo nas almas, minhas irmãs.
A caridade é minha única estrela
E, à sua doce luz, navego noite e dia,
Ostentando este lema, impresso em minha vela:
“Viver de Amor!”

Viver de Amor, enquanto meu Mestre cochila,
Eis o repouso entre as fúrias da vaga.
Oh! não temas, Senhor, que eu te acorde,
Aguardo em paz a margem dos céus…
Logo a fé irá rasgar seu véu,
Minha esperança é ver-te um dia.
A Caridade infla e empurra minha vela.
Vivo de Amor!…

 Viver de Amor, ó meu Divino Mestre,
É pedir-Te que acendas teus Fogos
Na alma santa e consagrada de teu Padre.
Que ele seja mais puro que um Serafim dos céus!…
Tua Igreja imortal, ó Jesus, glorifica
Sem fechar Teu ouvido a meus suspiros;
Por ela tua filha aqui se sacrifica,
Vivo de Amor!

Viver de Amor, Jesus, é enxugar Tua Face
E obter de Ti perdão para os pecadores.
Deus de Amor, que eles voltem à Tua graça
E para todo o sempre teu Nome bendigam.
Ressoa em meu peito a blasfêmia;
Para poder apagá-la estou sempre a cantar:
“Teu Nome sagrado hei de amar e adorar;
Vivo de Amor!…”

Viver de Amor é imitar Maria,
Banhando, com seu pranto e com perfumes raros,
Os pés divinos que beijava embevecida,
Para, depois, com seus cabelos enxugá-los…
Levanta-se, a seguir, quebra o vaso
E Tua doce Face perfuma…
Mas Tua Face eu só perfumo, bom Senhor,
Com meu Amor!

Viver de Amor, estranha loucura”,
Vem o mundo e me diz, “pára com esta glosa,
Não percas o perfume e a vida que é tão boa,
Aprende a usá-los de maneira prazerosa!”
Amar-Te é, então, Jesus, desperdício fecundo!…
Todos os meus perfumes dou-te para sempre,
E desejo cantar, ao sair deste mundo:
“Morro de Amor!”

Morrer de Amor é bem doce martírio:
Bem quisera eu sofrer para morrer assim…
Querubins, todos vós, afinai vossa lira,
Sinto que meu exílio está chegando ao fim!
Chama de Amor, vem consumir-me inteira.
Como pesa teu fardo, ó vida passageira!
Divino Jesus, realiza meu sonho:
Morrer de Amor!…

Morrer de Amor, eis minha esperança!
Quando verei romperem-se todos os meus vínculos,
Só meu Deus há de ser a grande recompensa
E não quero possuir outros bens,
Abrasando-me toda em seu Amor,
A Ele quero unir-me e vê-Lo:
Eis meu destino, eis meu céu:
Viver de Amor!!!…








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