Mãe de aluno que pichou parede da escola reclama de bronca de professora

22 09 2009

Mais uma notícia de [DES]Educação.

Pelo amor de Deus, onde vamos parar!

Dessa vez uma mãe denunciou uma professora por dá uma bronca no seu filho: detalho: ele pichou a escola que havia sido pintada.

Na minha opinião achei um exagero da mãe ter denunciado a professora por causa disso, mas a professora também errou ao chamá-lo de “bobo da corte” porque ele estava usando um boné.

Enfim, acho que mais errada na história é a mãe porque não aproveitou o momento para oferecer ao filho a EDUCAÇÃO CASEIRA que deveria ter dado ao filho quando ele menor.

Pixação é um problema de EDUCAÇÃO  CASEIRA e os pais não  devem jogar essa responsabilidade apenas para a escola, tem que ajudar também…

Eu esperei da mãe algo do tipo: meu filho você acha que agiu corretamente? O que você sentiu por ter pintado a parede?  Você agora viu o trabalho que deu para pintar? Espero que você agora tenha aprendido que um ato de VANDALISMO não leva um estudante a lugar nenhum aliás um estudante tem que ser exemplo para os outros.

Espero que ele tenha aprendido a lição.

Texto na íntegra:

Disponível em:

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1313499-5604,00-MAE+DE+ALUNO+QUE+PICHOU+PAREDE+DA+ESCOLA+RECLAMA+DE+BRONCA+DE+PROFESSORA.html

Escola havia acabado de ser pintada em um mutirão de pais e docentes.
Bronca da professora foi gravada em vídeo por um outro estudante.

A mãe de um aluno de uma escola de Viamão, no Rio Grande do Sul, reclama da bronca que o filho levou da professora após pichar a sala de aula. A escola havia acabado de ser pintada em um mutirão de pais, professores e alunos no feriado de Sete de Setembro. Foram oito meses arrecadando dinheiro para comprar todo o material _só as tintas custaram R$ 1.800.

A bronca da professora foi gravada em vídeo por um outro estudante. As imagens mostram o aluno de 14 anos cobrindo as marcas nas paredes. No vídeo, a professora pede que ele tire o boné.
 
“Tira o boné, meu amor, tira o boné.” E chama o estudante de bobo da corte. “Parece um bobo da corte fazendo palhaçada, estragando as coisas dos outros.”

A mãe do aluno achou que o filho foi humilhado. Nesta quarta-feira (23), faz uma semana que ele não vai à aula e já perdeu três provas. “Eu concordo que o meu filho errou, mas a professora exagerou em ter chamado ele de bobo da corte e pedido para tirar o boné”, diz a mãe do aluno, Andréa Nunes da Silva. Ela vai buscar orientação no Conselho Tutelar.

A professora, que também é vice-diretora da escola, dá aulas há oito anos. Ela reconhece que exagerou, mas argumenta que ficou revoltada ao ver perdido o trabalho de toda a comunidade. “Se eu errei é porque eu quero uma escola melhor”, afirma Denise Bandeira.
No vídeo, a professora aparece ainda pedindo o apoio dos alunos para manter a escola limpa, sem lixo e pichação. “Ô pessoal, na boa, ajudem a cuidar. Comecem a denunciar: ‘Professora, eu vi’. Olha a diferença dessa escola agora”, diz a professora.
A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que o caso vai ser averiguado.





Madre Maria de Gonzada: priora de Santa Teresinha no Carmelo de Lisieux

21 09 2009

 

No momento estou pesquisando a vida de Santa Teresinha. Já li vários livros que consegui no Carmelo da Imaculada Conceição de Camaragibe e agora estou iniciando minha pesquisa pela internet.

A vida de Santa Teresinha do Menino Jesus sempre me encantou,  e eis que encontrei essa raridade na internet sobre a Madre Maria de Gonzaga que foi Prioresa do Carmelo de Lisieux durante toda a vida religiosa de Irmã Teresa do Menino Jesus.

 

MADRE MARIA DE GONZAGA

http://www.geocities.com/heartland/flats/9292/TracosBiograficos/MadreGonzaga.htm

Uma figura polêmica é o mínimo que poderemos falar dessa religiosa nascida em Caen, França, no dia 20 de fevereiro de 1834. Seu nome de batismo era Maria Adélia Rosália Davy de Virville. Descendia da nobre e famosa família dos Davy. Seu pai se chamava Pedro Luís Américo Davy foi conde e, depois, marquês de Virville. Na prática, foi apenas um advogado junto à Corte real. Sua mãe, Adelaide Zoé Corbel, era filha de um advogado também junto à Corte real. Madre Gonzaga foi a quarta filha do casal.

Estudou no convento da Visitação de Caen, onde também estudaram Paulina, Maria e Leônia Martin. Ingressou no Carmelo de Lisieux, aos 29 de novembro de 1860, onde encontrou uma comunidade jovem. Sua mestra de noviças foi Irmã Maria Teresa de São José, uma das fundadoras do Carmelo de Lisieux. Sua profissão religiosa ocorreu no dia 27 de junho de 1862. Nesse mesmo ano, Irmã Maria de Gonzaga se ofereceu como voluntária para ir para o Carmelo de Saigon, fundado pelo Carmelo de Lisieux, mas sua ida não foi aprovada pelo Superior do Carmelo.

Pe. Pedro Teixeira Cavalcante, em sua obra “Dicionário de Santa Teresinha”, afirma que Madre Gonzaga era uma mulher de personalidade forte, mas que no fundo era uma sentimentalista. No Carmelo, foi uma ótima bordadeira, ajudando a manutenção da comunidade com os seus trabalhos. Foi a favor da entrada de Teresa no Carmelo, apesar de sua pouca idade, mas foi muito severa, sobretudo nos inícios, com a santa. Santa Teresinha sempre lhe tributou grande respeito e afeto e a Madre quer por escrito, quer por atitudes pessoais, sempre viu em Teresa um ideal de religiosa. Para o Pe. Cavalcante, “entre severidade e gestos de amizade, houve, no fundo, muito amor e respeito recíprocos.

A vida de Santa Teresinha no Carmelo está repleta de referências a Madre Gonzaga. No processo de canonização de Santa Teresinha foram salientados, sobretudo, os aspectos negativos da Madre Gonzaga. Santa Teresinha, porém, no conjunto, com relação à Madre Gonzaga, demonstra certa admiração, bastante confiança, certo cuidado para não cair em excesso de afeição pessoal e até certa ternura e compaixão.

Foram encontrados, entre os papéis de Santa Teresinha, após sua morte, vários bilhetes da Madre Gonzaga para nossa Santa. Leiamos alguns.

“Não quero que a filha de minha ternura se deixe levar por uma tão grande tristeza. Nada sei com relação à vestição… Antes de sofrer com isso, é preciso esperar” (CC.93).

“Que meu benjamim, rneu pequeno grão de areia diga tudo à sua madre, ela o compreende… Que alegria, uma humilhação! Isso vale por todos os tesouros do Panamá! Repitamos quando nos acontece fazer uma besteira: feliz falta que me merece esta humilhação! Quanto às nossas misérias só temos uma coisa a fazer: fazer delas um pacotezinho e colocá-lo no Coração de Jesus, para que ele as transforme em méritos para a Pátria” (CC.94).

Madre Gonzaga, oito meses antes de sua morte, foi atingida por um tumor maligno na língua, que lhe causou tremendos sofrimentos, suportados, porém, com muita fé, confiança e resignação. Guardou sempre seu cargo de depositária, mas teve de se afastar da recitação coral, o que muito Ihe custou. “Quando poderei retornar ao coro? oh, como é doloroso não rezar o ofício divino, não cantar mais os louvores do Bom Deus”, dizia ela chorando.

Apesar de muitos sofrimentos ocasionados pelo seu câncer, madre Gonzaga continuou seguindo a vida normal da comunidade até o dia 8 de dezembro, quando, à tarde, teve urna crise de falta de ar muito grave. No dia seguinte, ela se acamou na enfermaria e no dia 10, sábado, recebeu os últimos sacramentos. Nos momentos mais dolorosos, davam-lhe remédios calmantes, rnas ela tomava-os temendo estar demonstrando fraqueza diante do sofrimento, pois, como ela dizia: “O sofrimento é uma coisa muito grande! É por ele que provamos ao Bom Deus nosso arnor e nossa gratidão”.

Nesses momentos difíceis, ela edificou a todas as religiosas pelo exemplo e por palavras. Ela repetia sempre: “Tende piedade de mim, ó meu Deus! Tenho muitas misérias na minha pobre vida, eu vos ofendi muito. Não me abandoneis!”.

No dia 17 de dezembro de 1904, as 5 h 30m, após uma agonia pacífica, ela partiu para a eternidade.

A respeito da figura de Madre Gonzaga, o autor francês Maxence van der Meersch não partilha da mesma visão caridosa e equilibrada do Pe. Cavalcante. Segundo van der Meersch, Madre Gonzaga não nasceu para dirigir um Carmelo. Natureza vigorosa, lançou aquele pequeno mundo pelos caminhos das mais rudes mortificações corporais. Orientadas pela priora, as monjas chegavam ao cúmulo de se flagelar com urtigas! Para o mesmo autor, Madre Gonzaga era certamente orgulhosa e ávida de poder: “As eleições para ela são assunto capital… na eleição de 1896 ela mostrará um sofrimento de amor próprio bem pouco cristão, porque não havia sido reeleita até o sétimo escrutínio. Podemos entrever toda uma política, manobras e combinações tristemente humanas. Zelosa de seu título, o é também no que toca ao progresso das religiosas. Autoriza ou nega de forma caprichosa as tomadas de hábito ou as profissões.”

Segundo Meersch, ” Madre Gonzaga não desfruta de um completo domínio de seu sistema nervoso. Inclusive seus defensores mais ardorosos são obrigados a reconhecer que “esta Madre tinha irregularidades de humor ou de equilíbrio”. Fato é que quis suicidar-se, vinte anos antes, jogando-se de uma janela, e que foi bem difícil abafar este fato”. Mas o mesmo autor defende-a da pecha de ser uma pessoa egoísta: “A pobre mulher não merece certamente esta injúria. Simplesmente é vítima de uma natureza terrível, demasiado agressiva e autoritária… Cega com relação a si mesma! A pior desgraça que pode acontecer na vida de uma pessoa!”. Baseando-se na obra de um certo Pe. Petitot, van der Meersch a acusa de ter agravado os sofrimentos de Santa Teresinha, de ter agido de forma omissa e negligente com relação à sua fatal enfermidade.

O jesuíta Pe. Héber Salvador de Lima, estudioso de Santa Teresinha, em seu livro “Teresinha, a Menina que escolheu tudo”, desmascara o autor francês acima citado, cuja obra “La petite Sainte Thérèse” foi publicada em 1947, com estrondoso sucesso. Pe. Héber não tem dúvida de que van der Meersch tenha feito uma leitura superficial de “História de uma Alma”: “Só a “História de uma Alma” não bastava porque, em suas páginas, ainda que a Santa fale, algumas vezes, da severidade com que a tratava sua superiora, contudo nunca se refere a ela senão em termos do mais profundo respeito e carinho filial. Onde foi, então, o autor buscar o material de suas acusações? Num opúsculo velhíssimo, refutado muitas vezes, de um tal Pe. Ubaldo. Foi aí que o romancista encontrou a prioresa do Carmelo retratada como a tradicional madrasta dos contos de fadas. Van der Meersch exultou e não se deu ao trabalho de averiguar o valor científico da obra que lhe caiu em mãos. Se fizesse isso, os entendidos lhe haveriam dito que este mesmo Padre Ubaldo tinha retratado formalmente seu artigo em seu leito de morte!”.

Nossa querida Santa, em sua bondade e capacidade de compreender as misérias humanas, jamais condenou a severidade ou mesmo os erros de Madre Maria de Gonzaga. É isso que nos importa. Não podemos julgá-la nem condená-la.





Santa Joana Francisca de Chantal: fundadora da Ordem da Visitação, mosteiro de estrita clausura

19 09 2009

Publicado 2009/08/12
Author : Padre Rohrbacher

 Li este texto no  site dos Arautos do Evangelho (http://www.arautos.org.br/view/show/7083-santa-joana-francisca-de-chantal ) e fiquei encantada com a profundidade da espiritualidade dessa Santa e a determinação com que ela fundou a ordem da Visitação, um mosteiro de estrita clausura, bastante austero. A propósito, foi num mosteiro dessa Ordem que a irmã de Santa Teresinha , Leônia, professa os votos perpétuos… É incrível a santidade dessa família ( de Santa Teresinha), a filha que era conhecida por  dá muito trabalho aos pais e de caráter difícil, terminou num convento de clausura e tão austero quanto o Carmelo!

É … Deus tem seus mistérios… Não é por acaso que dessa família abençoada saísse tantas ou melhor , todas almas santas. Acredito que Deus nos quer dizer algo… Devemos ficar atentos aos Seus apelos.

SANTA JOANA DE CHANTAL

Santa Joana de Chantal

No ano de 1604, a pedido do parlamento de Borgonha, São Francisco de Sales pregava a quaresma em Dijon

No ano de 1604, a pedido do parlamento de Borgonha, São Francisco de Sales pregava a quaresma em Dijon. No auditório estava seu amigo, o arcebispo de Bourges; ele notou, ainda, uma senhora que lhe tinha já sido mostrada numa visão, como devendo ajudá-lo na instalação de uma obra santa. Ao sair do púlpito, ele perguntou ao arcebispo se conhecia aquela pessoa. O amigo respondeu: É minha irmã, a baronesa de Chantal. Efetivamente era ela.

Era filha de Benigno Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha e de Margarida de Berbizy. Sua irmã, Margarida, esposa do conde de Effran; seu irmão, André, foi arcebispo de Bourges. Nasceu em Dijon a 28 de janeiro de 1572. Recebeu o nome de Joana no batismo e a ele acrescentou o de Francisca, na confirmação. Seu pai, enviuvando muito cedo, teve grande cuidado em sua educação: ninguém correspondeu melhor que Joana a tal cuidado; também o pai teve por ela uma ternura particular.

Um herege permitiu-se diante dela falar contra a Santa Eucaristia; Joana, que tinha então somente cinco anos, censurou-o asperamente. Mais tarde recusou desposar um fidalgo muito rico, unicamente porque era calvinista. Quando chegou aos vinte anos, seu pai casou-a com o barão de Chantal, o mais velho da família de Rabutin. Era um oficial de vinte e sete anos, que servia com distinção e que Henrique IV honrava com seu favor. Pouco depois do casamento, levou a esposa ao castelo de Bourbilly, onde tinha sua residência ordinária e confiou-lhe o cuidado da casa. A primeira ordem que ela deu foi dizer todos os dias a missa e de a ela fazer todos os domésticos assistir e instruí-los com cuidado, ocupá-los com discrição e ajudá-los com caridade em suas necessidades. Ela pôs em seus afazeres toda a ordem que exigia uma longa negligência, que antes se tivera.

Nas festas e nos domingos ouvia a missa na paróquia. Ocupava-se em fazer panos e pequenas alfaias para os altares e em ler bons livros; mas a obra de piedade onde se mostrou mais atenta foi a caridade para com os pobres. Durante a ausência do marido, obrigado a passar uma parte do ano na guerra ou na corte, não saía de casa; não se falava então nem de jogos, nem de prazeres, nem conversas. Quando ele voltava, a alegria de o rever, o amor que tinha por ele, a vontade de lhe falar e de se regozijar, atraíam outras pessoas à sua casa; tudo isso lhe fazia diminuir insensivelmente as práticas de devoção, que tomava, na primeira ausência; enfim, no ano de 1601, seu marido foi à corte, e ela resolveu firmemente jamais se dispensar de seus exercícios de piedade.

O barão de Chantal caiu doente em Paris e fez-se levar ao castelo aonde chegou nas últimas. A virtuosa esposa passava os dias à cabeceira de seu leito, e as noites, na capela. Mas ele se restabeleceu milagrosamente e a alegria foi perfeita. Um parente e amigo da vizinhança veio visitá-los, nessa ocasião, e propôs uma caçada ao barão; para lhe ser agradável ele aceitou e vestiu um hábito marron. Seu amigo, vendo-o através de alguns arbustos, tomou-o por um animal, disparou a arma e o feriu na coxa. – Estou morto! Gritou o barão, caindo; meu amigo, meu primo, disparaste imprudentemente e eu te perdôo de todo o meu coração! Depois mandou quatro criados a quatro paróquias diferentes para ter mais certamente um padre. Entretanto, levaram-no a uma casa da aldeia mais próxima, onde sua mulher veio, embora tivesse dado à luz há quinze dias. Quando a viu disse: Senhora, o decreto do céu é justo; devemos amar e morrer! – Não, senhor, devemos viver! – Ah, senhora, replicou ele, respeitemos a ordem da Providência! – Depois, com espírito tranqüilo, perguntou se o padre tinha chegado; e tendo sabido que havia um, mandou-o vir ao quarto e confessou-se. Um momento depois, vendo de longe aquele que o tinha ferido, que lhe parecia desesperado, exclamou: Meu primo, meu amigo, esse golpe me veio do céu; antes de partir deste mundo, eu te rogo, não peques e roga a Deus por mim.

Morreu nove dias depois, tendo recebido todos os sacramentos, com singular piedade; rogou à esposa, ordenou ao filho, que jamais pensassem em vingar-lhe a morte e disse-lhes que ele perdoava de novo àquele que o tinha matado, sem pensar, e fez escrever esse perdão nos registros da paróquia, com a ordem que dava à família, de conter os ressentimentos. Um momento depois, expirou nos braços da esposa, cuja desolação foi inenarrável.

Ficando viúva aos vinte e oito anos, com um filho e três filhas, sentiu ela a desgraça. Mas bem depressa conheceu os desígnios de Deus sobre si e correspondeu-lhes com tanta fidelidade, que, em suas maiores amarguras dizia não poder compreender como se podia estar tão contente e sofrer tanto, Nesse estado de dor e de alegria fez a Deus o sacrifício de si mesma, pelo voto de castidade e por uma resignação tão perfeita às ordens do céu, que não viveu mais vida humana; e para marcar publicamente o perdão que tinha concedido àquele que lhe matara o marido, quis ser madrinha de um de seus filhos. Viveu depois, para o futuro, segundo as regras de São Paulo e os padres traçaram para a santificação das viúvas. Passava uma parte das noites em oração, aumentou as esmolas, distribuiu aos pobres as roupas preciosas, fez voto de usar somente vestes de lã. Despediu a maior parte dos criados, depois de os ter recompensado liberalmente. Seus jejuns eram freqüentes e rigorosos. Retirada do mundo, dividia o tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos filhos, Faltava-lhe um diretor que a pudesse levar pelas vias em que devia caminhar. Não deixava de o pedir a Deus com muitas lágrimas. Um dia, durante o fervor de sua oração, ela viu um homem de batina preta com um roquete e uma murça.

Passado o ano de luto, dirigiu-se à casa do pai, em Dijon. Aí continuou o mesmo gênero de vida e não quis receber visita de algumas senhoras virtuosas e idosas. No ano seguinte, os negócios da família obrigaram-na a se retirar com seus filhos junto do velho barão de Chantal, seu sogro, em Montelon, diocese de Autun. Teve que sofrer muito por causa do mau humor do velho, bem como de uma governante que o dominava, e que tinha adquirido tal ascendente sobre seu espírito, que toda a casa era forçada a lhe obedecer. A jovem baronesa suportou a provação com paciência: jamais a ouviram lamentar-se, não dava nem mesmo o menor sinal de descontentamento. Prestava-se com o maior prazer a tudo o que era agradável ao sogro e à governante. Consagrava à piedade a maior parte do tempo e dirigia-se, aos domingos, a Autun, para assistir às instruções dos pregadores.

Em 1604, foi a Dijon, à casa do pai, para ouvir São Francisco de Sales pregar. Desde a primeira vez que o viu no púlpito, julgou reconhecer nele o homem que lhe tinha sido mostrado na oração, como seu pai espiritual. Convidou-o muitas vezes a ir à casa de seu pai; e não ficava menos maravilhada com sua conversação familiar do que com seus sermões. Desejava ardentemente abrir-lhe a alma; o santo prelado inspirava-lhe toda confiança, mas ela não o ousava, porque um religioso que a dirigia lhe tinha feito prometer, por voto, reservar a ele unicamente a sua direção espiritual. De outro lado, os discursos do bispo de Genebra tocavam-na vivamente; conformava-se com seus conselhos mesmo nas coisas mínimas; e sua docilidade era sempre seguida de extraordinárias consolações.

Finalmente, revelou-lhe a causa de sua perplexidade; ficou determinado que o voto que a tinham feito fazer era indiscreto e que ela podia ser dispensada. Então, confessou-se com o santo bispo de Genebra e fez-lhe uma confissão geral de toda a vida. Mas, logo a paz de alma foi perturbada por desolações interiores; teve inquietações alarmantes sobre seu proceder. Francisco de Sales disse-lhe que aproveitasse aquela provação, de sorte que a luz tomou o lugar das trevas e a calma sucedeu à tempestade. Disse-lhe, ainda, que regulasse de tal modo seus exercícios de piedade, que seu exterior parecesse depender da vontade dos outros, sobretudo quando estava em casa do pai ou do sogro. Seu proceder reunia o costume de dizer: A Senhora reza em todas as horas do dia, mas isso não incomoda a ninguém.

Levantava-se às cinco horas, vestia-se sozinha e sem aquecimento, em toda a estação e fazia uma hora de oração mental. Depois, fazia levantarem-se os filhos, bem como os domésticos; cumpriam os exercícios da manhã e iam dar bom dia ao sogro; levava-o à missa, por voto, feito à Santa Virgem. Lia, depois do almoço todos os dias, por meia hora, a Escritura Sagrada; dava lições de catecismo a seus filhos, aos empregados e aos da aldeia que queriam também instruir-se. Antes da ceia, fazia um pequeno retiro espiritual de um quarto de hora e dizia o terço. À noite, retirava-se às nove horas e fazia o exame de consciência e a oração, com os filhos e os criados; dava a todos água benta e a benção e ficava ainda uma meia hora rezando sozinha; por fim terminava o dia, com a leitura da meditação para o dia seguinte.

Tinha adquirido um hábito tão grande da presença de Deus, que nada a afastava dele e conservava-se sempre tranqüila na diversidade das criaturas e dos fatos Depois de ter regulado o interior, pensou em reformar o que lhe parecia ainda muito vão em sua pessoa. Cortou o cabelo; vestia-se somente de um pano fino e unido. Tinha grande cuidado de mortificar o gosto e fazia de modo que as iguarias que deixava no prato fosse dadas aos pobres. Jejuava todas as sextas-feiras, usava cilício nos outros idas e muitas vezes disciplinava-se; adquiriu pela prática dessa vida santa, tão grande ascendente sobre suas paixões que não parecia mais uma criatura mortal.

Todos os domingos e festas ia aos lugares da paróquia onde sabia que havia doentes; arrumava-lhes a cama e nada lhes deixava faltar de alimento nem de remédios.

Tinha sempre em casa um pobre, coberto de feridas, que ela cuidava muitas vezes, de joelhos, com respeito, considerando com fé viva a Jesus Cristo, na sua pessoa. Velava em seus extremos, assistia-lhes à morte e os sepultava, ela mesma, com uma coragem que causava pasmo a todos os que não eram animados de uma perfeita caridade.

Em 1606 ela foi obrigada, pelo interesse de seus filhos, a fazer uma viagem a Bourbilly. Mas seus negócios não lhe impediram, pondo-lhes toda a ordem possível, de socorrer os enfermos de sua terra, que eram em tão grande número, que sepultava muitas vezes quatro num dia, depois de os ter assistido em sua doença, com todo o cuidado, ajudando-os com dinheiro, com orações e instruções. Mas, não podendo resistir a tantas fadigas, caiu doente com disenteria que a levou aos extremos. Nesse estado, escreveu ao pai e ao sogro, para lhes pedir a benção e para lhes recomendar os filhos. O presidente estava inconsolável, o barão de Chantal mesmo ficou muito aflito, pois, apesar das penas que lhe tinha causado e dos maus tratos que tinha sofrido e recebido dele, ela era considerada como santa que lhes trazia toda espécie de bênçãos. Depois que ficou curada, voltou a Montelon, onde foi recebida pelo sogro e pelos filhos, com uma alegria proporcionada ao temor que tinham de a perder.

À medida que se desapegava das criaturas, o desejo de ser toda de Deus aumentava em sua alma. Mas como seu santo diretor lhe tinha ordenado viver santamente em seu estado, sem pensar na vida religiosa, ela teve escrúpulo de o ter desejado e escreveu ao santo bispo. Ele respondeu-lhe nestes termos:

Oh! Não, minha filha! Eu não vos tinha dito que não tivésseis nenhuma esperança de ser religiosa, mas, que com isso não vos preocupásseis, nada havendo que nos impeça tanto de nos aperfeiçoarmos em nosso estado do que aspirar a outro, Os filhos de Israel não puderam cantar em Babilônia, porque pensavam em seu país; mas eu quisera que cantássemos por toda parte. Eu vejo vosso desejo de ser religiosa. Oh! Doce Jesus! Que vos direi, minha mui querida filha? Sua bondade sabe que eu muitas vezes implorei sua graça no santo sacrifício; não somente isso, mas empreguei a devoção e as orações de outros melhores que eu. E que vim a saber, minha filha! Que um dia deveis deixar tudo, mas que seja para entrar na religião, não me aconteceu ainda ser dessa opinião; o sim não se deteve ainda no meu coração e o não aí se encontra com muita firmeza, mas dai-me um pouco a ocasião para rezar e fazer rezar.

No dia de Pentecostes, quando tinha vindo a Annecym para tratar com ele de sua vocação, o santo prelado, para experimentar sua submissão propôs-lhe ser religiosa de Santa Clara, depois irmã do Hospital de Beaune e depois Carmelita. Ela consentia a cada proposta com uma docilidade que o santo bispo admirou; por fim, deu-lhe conta do projeto que tinha de fundar uma nova Congregação sob o nome da Visitação de Santa Maria. Ela ficou radiante de alegria a essa notícia e sentiu uma atração de Deus, tão poderosa para esse empreendimento que não duvidou de que era essa a vontade de Deus. Previam ambos grandes obstáculos a esse intento; o pai, o sogro e os filhos da santa viúva, uns mais velhos, outros muito jovens; como deixar tudo isso para se estabelecer fora do reino? O santo Bispo dizia: Vejo um caos em tudo isso, mas a Providência saberá deslindar tudo, quando chegar o tempo. E isso não tardou. A principal dificuldade era a educação das crianças, para o que parecia necessário que a mãe ficasse no mundo. O santo fez ver que lhe seria possível velar por eles num claustro e que ela o faria mesmo de maneira mais útil para elas. Essa dificuldade dói superada e seu pai e seu sogro consentiram que ela se retirasse, não sem derramar muitas lágrimas. Como ela tinha o coração muito sensível teve rudes combates a sustentar: mas o amor divino elevou-a acima dos sentimentos da natureza. Seus outros parentes e amigos deixaram ao mesmo tempo de se opor à sua resolução.

Antes de deixar o mundo a baronesa de Chantal casou a mais velha de suas filhas com o barão de Thorens, sobrinho do bispo de Genebra e esse casamento teve a aprovação das suas duas filhas. Uma morreu pouco tempo depois, a outra desposou o conde de Toulonjon, que unia ao nascimento, muita sabedoria e virtude. A mãe mesma tinha recusado um partido importante de Bourgogne e para selar com o sangue sua promessa que ela renovou de ser de Deus unicamente, ela tinha gravado em seu coração o nome de Jesus. Quanto ao jovem barão de Chantal, então com quinze anos de idade, o presidente Fremiot, seu avô, encarregou-se de terminar sua educação e a administração de seus bens, foi confiada a tutores inteligentes e de reconhecida probidade. Assim a presença da mãe não lhes era mais necessária.

O dia da partida chegou e a santa viúva despediu-se do barão de Chantal, seu sogro, pôs-se de joelhos, pediu-lhe perdão, se lhe tivesse desagradado em alguma coisa e rogou-lhe que lhe desse sua benção e recomendou-lhe ainda o filho, O bom velho, com oitenta e seis anos, parecia inconsolável, abraçou ternamente a nora e desejou-lhe toda sorte de felicidade. Os habitantes da terra de Montelon, sobretudo os pobres, julgando tudo perder, perdendo-a, demonstraram-lhe a dor com lágrimas e gritos. Em Dijon ela fortificou-se com a santa Comunhão, contra a fraqueza, que previa na separação de tudo o que tinha de mais caro. Enfim, chegou também aquele momento, e ela disse a deus aos parentes, com firmeza; depois, atirando-se aos pés do pai, suplicou-lhe que a abençoasse e tivesse cuidado do filho que ela lhe deixava. O presidente sentiu o coração partido; parecia-lhe morrer de dor; banhado em lágrimas, abraçou a filha e disse: Oh! Meu Deus! Não posso desdizer o que ordenastes, cortar-me à vida; no entanto, Senhor, eu vo-la ofereço, essa querida filha, recebei-a e consolai-me! Depois abençoou-a e a ergueu. O jovem Chantal, seu filho, de quinze anos, correu para ela, atirou-se-lhe aos braços e não a queria deixar, esperando enternecer-lhe o coração e detê-la com tudo o que de comovente lhe poderia dizer. Não conseguindo o que desejava, deitou-se no =limiar da porta, por onde ela devia sair e disse-lhe: Sou muito fraco, Senhora, para vos deter, mas pelo menos dirão que passastes por cima do corpo de vosso filho único para o abandonar! A santa viúva ficou comovida e chorou amargamente, passando por cima do corpo daquela querida criança, mas, um momento depois, tendo receio de que se lhe atribuísse i pesar arrependimento de sua decisão, ela voltou-se e disse-lhes com rosto sereno: Perdoai-me a fraqueza, deixo meu pai e meu filho para sempre; mas encontrarei Deus por toda a parte.

A 6 de Junho de 1610, dia de São Cláudio, que era da Santíssima Trindade, a senhora de Chantal, com a senhorita Jaqueline Fabre, filha do presidente da Sabóia e a senhorita de Bréchard, sob a direção do santo bispo de Genebra, começou em Annecy, a fundação da ordem da Visitação, tão útil ao povo porque aí se recebem as viúvas e os enfermos e tão honrosa para a Igreja pelo fervor com o qual se mantém a regularidade com que essas santas filhas edificam ainda hoje todo o mundo, dez outras mulheres vieram logo aumentar a comunidade nascente. O santo bispo pensava fazer apenas uma simples congregação, onde não se fosse obrigado à clausura, a não ser durante o ano de noviciado, depois do que se podia sair para o serviço dos enfermos. Mas o cardeal de Marquemont, arcebispo de Lião, tinha estabelecido uma de suas casas em sua cidade e escreveu ao santo bispo de Genebra e à mãe de Chantal, para lhes propor erigir o instituto em título de religião por clausura e fazerem as jovens os votos solenes.

Sua grande humildade fê-las rejeitar tudo isso, a princípio; mas depois de instantes preces a Deus, para que as iluminasse, consentiram-no e o santo prelado escreveu à madre Favre, superiora da comunidade de Lião: Se S. Excia. O arcebispo minha querida filha, voz diz que me escreveu sobre o assunto de vossa clausura e de vossos votos, dir-lhe-eis que eu teria tido grande suavidade para o título simples de congregação, sob o qual lhe parece que nossas filhas teriam tido menos motivo de amor próprio do que sob outro, onde somente o temor e o amor do esposo sagrado lhes teria servido de clausura e de votos; entretanto, não somente minha vontade, mas ainda meu juízo, bem facilmente prestam homenagem que devem ao sentimento desse grande e digno prelado. Consinto, pois, de todo o coração que façamos uma religião formal pois não pretendo outra coisa, minha filha, se não que Deus seja glorificado. Seja isso, por outras luzes que não, pelas minhas, tanto melhor; estarei mais a salvo desse espírito de orgulho que tudo estraga: nossa boa mãe é do mesmo sentir. Viva Jesus! Minha filha, sou nele todo vosso! (…)

Alguns anos depois de sua profissão religiosa, a madre Chantal quis ligar-se por votos a fazer sempre o que julgasse mais perfeito. São Francisco que ela consultou, permitiu-lho, porque lhe conhecia o fervor e não duvidava de que não cumprisse com fidelidade o compromisso que tinha contraído. Muitas vezes ela foi atormentada por doenças dolorosas. Os médicos nelas não viam uma causa natural: um deles, tendo-a observado vários dias: está doente de amor de Deus; não sei curar esses males. (…)

Depois da morte do pai, fez uma viagem a Dijon. Passou alguns meses naquela cidade para ajustar os negócios do filho, antes de o colocar na academia. Casou-o depois com Maria de Coulanges, que reunia grande virtude à origem, riquezas e beleza: desse casamento veio a única filha, a célebre marquesa de Sevigné. A madre Chantal foi ainda obrigada a deixar Annecy, muitas vezes, para ir fundar casas de sua ordem em diversas cidades, especialmente em Grenoble, Bourges, Dijon, Moulins, em Nevers, em Orleans e em Paris. Excitou-se contra ela violenta perseguição, nesta última cidade; ela, porém, venceu, por sua confiança em Deus. Ademais sua doçura e paciência atraíram-lhe a admiração daqueles que tinham sido seus maiores inimigos. Governou a casa que tinha fundado em Paris, no subúrbio de Santo Antonio, desde o ano de 1619, até o ano de 1622. (…)

Em 1622, outra aflição veio surpreender a madre Chantal: Deus levou-lhe o bem-aventurado pai, o bispo de Genebra. Essa perda foi seguida de outra. Em 1627, o barão de Chantal, foi morto combatendo contra os huguenotes, na ilha de Rhé; mas tinha-se preparado para a batalha, recebendo os sacramentos.Contava trinta e um anos e deixava uma filha que ainda não tinha um ano. Quatrio anos depois, a santa viu ir-se também a baronesa de Chantal, sua nora. Mal tinha sabido dessa notícia, anunciaram-lhe a morte do conde de Toulonjon, seu genro, que ela amava ternamente e que era governador de Pignerol. Esqueceu sua pena para só pensar na da condessa sua filho e tudo fez para a consolar.

Assim Deus provava essas grandes almas, para tornar mais semelhantes ao modelo de seu Filho.

Em 1638 a duquesa de Sabóia, Cristina de França, rogou insistentemente à madre de Chantal que viesse a Turin fundar um convento da Visitação. Ela o fez e conseguiu ainda mais, trazendo também os missionários de Vicente de Paulo, na diocese de Genebra. Perdeu, depois, de repente, os dois amigos íntimo,os, seu irmão, o arcebispo de Borges e o virtuoso governador de Sillery, que se tinha feito sacerdote. Obrigada a ir a Moulins, para os assuntos de sua ordem aí contraiu estreita amizade, com a duquesa de Montmorency, princesa dos Ursinos, viúva do duque Henrique de Montmorency, decapitado sob Luís XIII, por ter seguido o partido do duque de Orleans, irmão do rei. A princesa, inteiramente dedicada às boas obras, acabou por entrar na Ordem da Visitação; recusou aí ser superiora e viveu como a mais humilde das religiosas. De Moulins, Santa Chantal foi chamada a Paris, pela rainha Ana da Áustria, que a honrou com sua confiança.

Chegando a 4 de Outubro , a santa partiu a 11 de Novembro, atônita com a estima e os aplausos de que se via objeto. Voltando a Moulins, foi tomada de febre, e morreu santamente a 13 de Dezembro de 1641, depois de rude agonia, pronunciando o nome de Jesus. Antes de receber o viático, rogou ao confessor que escrevesse, como sua última vontade, as recomendações seguintes às recomendações seguintes, às suas religiosas: Rogo a nossas irmãs que observem suas regras, porque são suas regras, e não porque poderiam ser segundo seus gostos – Que viam em grande união entre si, com simplicidade , retidão e humildade; que nenhum desejo lhes perturbe o espírito; que tenham grande respeito por seus superiores e uma perfeita submissão e obediência. – Que a confiança em Deus não lhes deixe outro desejo que o de lhe agradar; e, enfim, que as superiores governem segundo o espírito da regra, que é todo doçura e caridade.

Santa Chantal foi assistida em seus últimos momentos pelo Padre Claudio de Lingendes, jesuíta, célebre por suas pregações, publicadas em três volumes. Muitos milagres operadoss por sua intercessão foram constatados juridicamente e ela beatificada por Bento XIV em 1751 e canonizada em 1767 por Clemente XIII.

Fotos: santiebeati.it
(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume, XV, p.117 à 135)





Carta de Santa Teresinha a sua Irmã Leônia

18 09 2009

Leonia[1]leonie2[1]

 

Carta que  Santa Teresinha escreveu a sua irmã Leônia. Leônia é a úncia das irmãs Martin que não possui vocação Carmelita e sim Visitandina, segundo o espírito de São Francisco Sales e Santa Joana de Chantal. Leônia possui uma vida religiosa um tanto tumultuada. Entra na Ordem das Clarissas e ingressa por 2 vezes na Ordem Visitandina sem sucesso. Segundo uma profecia de sua Santa Irmã Teresinha, entra pela 3ª vez na Visitação de Caen de forma definitiva e  se destacará especialmente por sua humildade. A Santa havia profetizado que entraria na Visitação após sua morte e tomaria o seu nome e o de São Francisco Sales, o que aconteceu efetivamente após sua morte. Leônia entrou para a Visitação sob o Nome de Irmã Francisca Teresa.

Carta 191

J.M.J.T

Jesus +

 12 de julho de 1896

 Para Leônia.

Minha querida Leoniazinha,

Teria respondido à tua linda carta se ela me tivesse sido entregue a tempo. Mas nós somos cinco e tu sabes que sou a menor… Portanto, sou destinada a ver as cartas só muito tempo depois das outras ou então nem chegar a vê-las… Só vi tua carta sexta-feira, por isso, querida irmãzinha, não estou atrasada por culpa minha…

         Se soubesses como estou feliz por ver-te em tão boas disposições…

        Não estranho que o pensamento da morte te seja agradável, pois não estás apegada a nada na terra. Asseguro-te que Deus é muito melhor do que imaginas. Contenta-se com um olhar, um suspiro de amor… Quanto a mim, acho a perfeição fácil de praticar, porque entendi que é só pegar Jesus pelo Coração…Veja uma criancinha que acaba de aborrecer a sua mãe, zangando-se ou desobedecendo-lhe; se ela se esconder num canto com ar amuado e gritar por medo do castigo, certamente, a mãe não lhe perdoará a falta; mas se lhe estende os seus bracinhos  sorrindo e dizendo: “dê-me um beijo, não o farei mais”, poderá a mamãe não  apertá-la ao seu coração com ternura e esquecer e esquecer as faltas infantis?… Todavia ela bem sabe que seu querido filho recairá na próxima ocasião, mas isso não importa, se ele a prende de novo pelo coração, jamais será castigado…

         No tempo da lei do temor, antes da vinda de Nosso Senhor, o profeta Isaías já dizia, falando em nome do Rei dos Céus: “Pode, acaso, uma mãe esquecer o próprio filhinho, não se enternecerá pelo fruto das suas entranhas? Pois bem; ainda que uma mãe esquecesse o seu filho, eu, porém, jamais vos esqueceria”. Que linda promessa! Ah!  Nós que vivemos na lei do Amor, como não nos aproveitar dos amorosos convites que nosso Esposo nos faz… Como temermos Aquele que se deixa prender por um cabelo que esvoaça no nosso pescoço?…

        Saibamos então manter prisioneiro esse Deus que se faz mendigo do nosso amor. Ao nos dizer que é um cabelo que pode operar este prodígio, Ele nos mostra que as mínimas ações, feitas por amor, encantam seu coração…

         Ah! Se fosse preciso cumprir grandes coisas, como seríamos dignas de lástima!…Mas como somos felizes, pois Jesus deixa-se prender pelas mais pequeninas…

         Não te faltam pequenos sacrifícios, minha cara Leônia, tua vida está repleta deles… Alegro-me por te ver diante de tal tesouro e, sobretudo, sabendo que sabes aproveitar-te deles, não só para ti, mas também para as almas… É tão bom ajudar Jesus com nossos pequenos sacrifícios, ajudá-Lo a salvar as almas que Ele resgatou com Seu Sangue e que só aguardam o nosso auxílio para não caírem no abismo…

         Parece-me que se nossos sacrifícios são cabelos que cativam Jesus, as nossas alegrias também o são, para isso basta não se concentrar numa felicidade egoísta, mas oferecer a nosso Esposo as pequenas alegrias que Ele semeia no caminho da vida a fim de encantar nossas almas e elevá-las até Ele…

         Pensei em escrever para minha tia hoje, mas não tenho tempo. Fica para o próximo domingo. Peço-te para lhe dizeres quanto a amo, e ao meu querido tio.

         Penso muito em Joana e Francis. Tu me perguntas a respeito da minha saúde. Pois bem! Querida irmãzinha, não tusso mais. Estás contente?… Isso não impedirá Deus de vir me buscar quando bem entender; como me esforço muito para ser uma criancinha, não tenho muitos preparativos para fazer. Jesus  será obrigado a custear as despesas da viagem e o ingresso no Céu…

        Adeus, querida  irmãzinha, amo-te, creio, sempre mais…

 Tua irmãzinha,

Teresa do Menino Jesus.

Rel.Carm.Ind.*

______

  * Rel.Carm.Ing.: Significa: Religiosa Carmelita Indigna..

 

 

 





Horas antes de Santa Teresinha compor o Ato de Oferenda ao Amor Misericordioso

17 09 2009

Texto na íntegra das observações da Irmã Genoveva da Santa Face ( Celina, irmã de sangue de Santa Teresinha) sobre o Ato de Oferenda ao Amor Miesericordioso do Bom Deus. Extraído de “Conselhos e lembranças da biblioteca do Carmelo de Camaragibe”.

Horas antes de Santa Teresinha compor o Ato de Oferenda ao Amor misericordioso

 Durante a hora da Adoração diante do Santíssimo Sacramento exposto para as Quarenta Horas – na terça – feira a 26 de fevereiro de 1895 – Teresa compôs de um jato o seu cântico “Viver de Amor”.

        No domingo, 9 de junho de 1895 – na festa da Santíssima Trindade- durante a Missa, recebeu a inspiração de se oferecer como vítima de holocausto ao Amor Misericordioso do  Bom Deus.

        Logo depois da Missa, muito comovida, arrastou-me atrás dela, sem eu saber por quê. Mas bem depressa nos encontramos com a nossa Madre Superiora (Madre Inês de Jesus), que se dirigia para a Roda. Teresa parecia um pouco embaraçada ao expor o seu pedido. Balbuciou algumas palavras pedindo licença para se oferecer comigo ao Amor Misericordioso. Não sei se ela pronunciou a palavra “ vítima”. Não parecendo coisa muito importante, a nossa Madre disse: sim.

        Uma vez a sós comigo, explicou-me resumidamente o que queria fazer, o seu olhar estava inflamado. Disse-me que ia pôr por escrito as suas idéias e compor um Ato de Doação.

        Dois dias depois, ajoelhadas ambas diante da Virgem Milagrosa do Sorriso, que se encontrava então no emprego ao lado da sua cela, pronunciava ela o Ato por nós. Era terça-feira, 11 de junho.

        Sóror Teresa comunicou mais tare o seu Ato de Oferenda à Irmã Maria do Sagrado Coração e à Irmã Maria da Trindade. Fala dele nos seus manuscritos. E aí convida a todas as pequenas almas a fazê-lo. No seu pensamento, com efeito, não se tratava de se oferecer a todo um luxo de sofrimentos superogatórios, mas de confiar-se, de entregar-se sem restrições à Misericórdia do Bom Deus.

        Sóror Maria do Sagrado Coração, nossa Irmã mais velha, recusou-se ao princípio a fazer este Ato de Oferenda, não querendo chamar sobre si um aumento de provações. A este propósito  eis a relação consignada pela sua enfermeira em notas íntimas e inéditas:

“ Hoje, 6 de junho de 1934, falava eu com a Irmã Maria do Sagrado Coração acerca do Ato de Oferenda ao Amor Misericordioso. Disse-me ela que foi enquanto remexia a erva do prado que Sóror Teresa do Menino Jesus, que estava a seu lado, lhe perguntou se ela se queria oferecer como vítima ao Amor Misericordioso do Bom Deus e que ela lhe tinha respondido: claro que não vou oferecer-me pela palavra e o sofrimento já me mete medo demais. E primeiro, a palavra “vítima” desagrada-me muito.”

        Então Teresinha disse-lhe que a compreendia bem mas que oferecer-se como vítima ao Amor do Bom Deus não era de maneira nenhuma, a mesma coisa que oferecer-se à sua Justiça, que ela não sofreria mais, que era para poder amar melhor o Bom Deus por aqueles que não o querem amar.

“Enfim, foi tão eloquente, acrescenta a Irmã Maria do Sagrado Coração, que me deixei ganhar e não me arrependo disso, também eu não”.

É de notar que a Irmã Maria do Sagrado Coração se dedicou a fazer pronunciar o Ato a todas as suas amigas e a todas as pessoas com as quais se correspondia. Que eu saiba, só uma ressistiu aos seus pedidos.

Enfim,foi renovando esta oferenda em voz baixa mas destacando bem as palavras, que expirou no dia 19 de janeiro de 1940 às 2 hora e 20 minutos da manhã.

        Acrescento agora a confidência que me fez a minha companheira de noviciado, Irmã Maria da Trindade:

“ Sóror Teresa do Jesus não me fez conhecer a sua doação como vítima de holocausto ao Amor Misericordioso  senão em 30 de novembro de 1895. Manifestei-lhe imediatamente o desejo de a imitar  decidiu-se que eu faria a minha consagração no dia seguinte. Quando fiquei só e refleti na minha indignidade, conclui que era preciso uma preparação maior para um Ato tão importante. Voltei então a falar com Sóror Teresa explicando-lhe as razões pelas quais eu  queria adiar meu oferecimento.

“ O seu rosto tomou uma expressão de grande alegria: “ sim, disse-me ela, este Ato é importante, mais importante do que podemos imaginar, mais sabe qual é a única preparação que o Bom Deus nos pede? Pois bem! É reconhecer humildemente a nossa indignidade e visto que ele lhe concede esta graça, entregue-se a Ele sem medo. “Amanhã, depois da Ação de Graças, ficarei junto de si no Oratório, onde estará exposto o Santíssimo Sacramento e, enquanto pronuncia o seu ato eu oferecê-la-ei a Jesus como vitimazinha que eu lhe preparei”.

        Se a nossa querida Mestra julgasse atrair sobre nós sofrimentos em acrescimento, não teria solicitado, assim, a nossa doação ao Amor; mas, pelo contrário, ela explicava-nos bem que este gesto era completamente diferente do Oferecimento como vítima à Justiça divina: “ Não há nada a temer da Oferenda ao Amor Misericordioso, dizia ela com força, porque deste Amor, não se pode esperar senão Misericórdia.”

        Não acrescentava menos vezes que esta Oferenda  requeria boa vontade e generosidade.





UM CASO DE [DES]EDUCAÇÃO

16 09 2009

Hoje assisti no Bom Dia Brasil um caso de [des]educação

Uma mãe incentiva a própria filha a bater na colega.

O pior é que a mãe da estudante é funcionária da escola,  é MONITORA ESCOLAR

Agora, se a violência é ensinada pela própria mãe, onde vamos parar?

Essa mãe é MONITORA ESCOLAR, que tipo de educação ela promove para seus alunos?

Fica aqui minha indignação e um apelo para que as autoridades ( que já puniram a monitora escolar) continuem fiscalizando os bastidores da educação.

A violência tem que ser combatida!

MATÉRIA NA ÍNTEGRA:

para ter acesso ao vídeo clicar no link abaixo:

http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1306117-16020,00-SP+MAE+INCENTIVA+A+FILHA+A+BRIGAR+NA+PORTA+DA+ESCOLA.html

SP: mãe incentiva a filha a brigar na porta da escola

Em uma briga entre alunas na porta de uma escola, a mãe de uma das meninas grita para a filha: “mete o pé que nem eu te ensinei. Mete um soco na cara”.

Educação ou deseducação? A violência não está mais apenas na rua, não está mais apenas no trânsito. Está na escola e é ensinada dentro de casa. Um flagrante desse mau exemplo foi feito no interior de São Paulo.

As imagens são estarrecedoras. São quase uma caricatura de tão exageradas. O repórter Leandro Rossito foi até Araçariguama, uma pequena e tranquila cidade no interior de São Paulo, para investigar uma briga entre alunas na porta de uma escola. As respostas que ele ouviu nos fazem parar para pensar.

A briga foi na saída do colégio, e um aluno gravou tudo pelo celular. A mãe de uma das estudantes incita a filha: “vai, mete o pé que nem eu te ensinei. Mete um soco na cara. Seu pai está no carro.”

A violência é estimulada por uma mulher que tem obrigação de evitá-la, não apenas por dever de mãe, mas também por profissão. Ela trabalha como monitora escolar.

Depois da confusão, mas calma, Meire Aparecida Fernandes disse estar arrependida e tenta se justificar. “Acho que qualquer mãe ou qualquer pai que visse a filha no chão, por baixo, ia gritar sim para sair debaixo. Eu falava mesmo, porque, se apanhar aqui, ela vai apanhar em casa, porque eu não criei filha para estar apanhando na rua”, diz a monitora escolar Meire Aparecida Fernandes.

O Conselho Tutelar levou o caso ao Ministério Público. “Fica uma dúvida: como será a educação que essa adolescente está tendo na casa dela?”, questiona o conselheiro tutelar Marcos Silva.

A mãe da aluna que foi agredida, a aposentada Sueli Silvestrin dos Reis, esperava outra atitude da monitora. “Como nós estamos educando nossos filhos, se nós em casa estamos incentivando a violência, se nós estamos ensinando em casa a violência? Se nós estamos ensinando a bater? Acho que isso não é educação”, afirma. 

O Ministério Público de São Paulo vai investigar a briga. O prefeito de Araçariguama anunciou que vai demitir essa funcionária que incentivou a briga entre a filha e outra aluna.





ATO DE OFERENDA AO AMOR MISERICORDIOSO DO BOM DEUS COMPOSTO POR SANTA TERESINHA

15 09 2009

Este Ato de Oferenda ao Amor Misericordioso foi composto por Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face no auge de sua vida espiritual, isto é em 1895. Santa Teresinha durante toda a sua vida religiosa de Carmelita Descalça nunca teve nem procurou consolações e atravessou um grande vale da mais prounda aridez. Eis aí o segredo de nossa querida Santinha: a aridez para ela foi uma força motivadora para ela se lançar nos braços do Bom Deus, e nunca sua vida espiritual foi tão fecunda quanto  foi nesses príodos de secura espiritual. O Ato de Oferenda relete toda a sua entrega  a Deus e ao mesmo tempo o método que a Santa encontrou para superar todas as provações e principalmente as tentações contra a fé que a lançou numa noite sem fim, mas o seu foco é Jesus, e como um barquinho  à deriva, ela fitou em Jesus e na Sua Cruz e seguiu.

Este Ato de Oferenda foi extraído do Livro Conselhos e Lembranças escrito  pela Irmã Genoveva da Santa Face ( Celina, irmã de sanguue da Santa) pubicado em 1955. LLivro que consegui com a Mestra de Noviças do Carmelo Da Imaculada Conceição em Camaragibe.

 

Ato de Oferenda ao Amor Misericordioso do  bom Deus composto por Santa Teresa do Menino Jesus

 

Santa Teresa levava dia e noite

sobre seu coração este ato de oferenda dentro

do livro dos Santos Evangelhos

 

* *  *

Santa Teresinha

ATO DE OFFERENDA AO AMOR MISERICORDIOSO DO  BOM DEUS

 

Oferenda de mim mesma como vítima do Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus.

 

Ó meu Deus! Trindade Bem-aventurada, desejo Amar-Vos e fazer Amar-Vos, trabalhar pela glorificação da Santa Igreja salvando as almas que estão na terra e libertando as que sofrem no purgatório. Desejo cumprir perfeitamente a vossa vontade e chegar ao grau de glória que me haveis preparado no vosso reino, numa palavra, desejo se Santa, mas eu sinto a minha impotência e peço-vos, ó meu Deus! Que sejais vós mesmo a minha Santidade.

 

            Visto que me haveis amado a ponto de me terdes dado o Vosso Filho único para ser meu Salvador e o meu Esposo,  os tesouros infinitos dos seus méritos são meus, eu vo-los ofereço com alegria, suplicando –Vos que só olheis para mim através da Face de Jesus e dentro do seu Coração abrasado de Amor.

 

            Ofereço-Vos ainda todos os méritos  dos Santos ( que estão no Céu e na terra ) os seus atos de Amor, e os dos Santos Anjos; enfim ofereço-Vos ó Trindade Bem-aventurada! O Amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha Mãe querida; a ela é que eu entrego a minha oferenda rogando-lhe que vo-la apresente. Seu Divino Filho, meu Esposo Bem – Amado, nos dias da sua vida mortal, disse-nos: “ Tudo o que pedirdes a meu  Pai em Meu Nome, Ele vo-lo dará”.

 

            Estou, pois, certa que satisfarei os meus desejos; sei-o, ó meu Deus! Quanto mais querei dar, tanto mais fazeis desejar. Sinto no meu coração desejos imensos, e é com confiança que eu vos peço que venhais tomar posse da minha alma. Ah! Não posso receber a Sagrada Comunhão tantas vezes como desejo, mas, Senhor, não sois Vós Todo-Poderoso? Permanecei em mim, como no sacrário, não vos afasteis nunca da vossa hostiazinha…

 

            Eu desejava consolar-vos da ingratidão dos maus, e suplico-Vos que me tireis a liberdade de vos desagradar, se por fraqueza eu cair às vezes, purifique logo vosso Divino Olhar a minha  alma consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo que transforma todas as coisas em si mesmo…

 

            Agradeço-Vos , ó meu Deus! Todas as graças que me haveis outorgado, em particular a de me terdes feito passar pelo cadinho do sofrimento. Será com alegria que vos contemplarei no último dia ao levardes o cetro da Cruz; visto que Vos haveis ignado fazer-me participante dessa Cruz tão preciosa, espero no Céu assemelhar-me a Vós e ver brilhar no meu corpo glorioso os sagrados estigmas da vossa Paixão…

 

            Depois do  exílio na terra, espero ir gozar de vós na Pátria, mas eu não quero armazenar méritos para o Céu, quero trabalhar só por vosso Amor, com  único propósito de vos agradar, de consolar o vosso Coração e de salvar as almas que vos amarão eternamente.

 

            Ao anoitecer desta vida aparecerei diante de vós com as mão vazias porque não vos peço, Senhor, que conteis as minhas obras. Todas as nossas justiças tem manchas aos vossos olhos. Quero, pois,  revestir-me d vossa própria Justiça  e receber do vosso Amor a posse  eterna de vós mesmo. Não quero outro Trono nem outra Coroa senão a Vós, ó meu Bem-Amado!…

 

            Aos vossos olhos o tempo não é nada. Um só dia é como mil anos, podeis portanto num instante preparar-me para aparecer  diante do Vós…

 

            A fim de viver num ato de perfeito Amor, ofereço-me como vítima de Holocausto ao vosso Amor Misericordioso, suplicando-vos que me consumais continuamente, deixando transbordar para a minha alma as ondas de ternura infinita que estão encerradas em Vós para que assim em me torne Mártir do vosso Amor,  ó meu Deus!…

 

            Que este martírio, depois de me ter preparado para aparecer diante de Vós, me faça enfim morrer e que a minha alma se arremesse sem demora no eterno abraço do Vosso Misericordioso Amor, ó meu Deus!…

 

            Eu quero, ó meu Bem – Amado, a cada pulsação do meu coração renovar-vos esta oferenda um número infinito de vezes até que, tendo-se desfeito as sombras, eu possa repetir-vos o meu Amor num Face a Face Eterno!….

 

Maria Francisca Teresa do Menino Jesus  e da Santa Face,

Rel. carm. Ind.

 

Festa da Santíssima Trindade.

9 de junho do ano de 1895.

 

 

OBS:

 

            Indulgências concedidas perpetuamente à recitação do Ato de Oferenda composto por Santa Teresa do Menino Jesus:

 

1°) Uma indulgência parcial de 3 anos, todas as vezes que os fiéis recitarem com o coração contrito e com devoção a oferenda sobredita, ao  menos a partir destas palavras: “ A fim de viver num ato de perfeito amor…” até o fim;

 

2°) Uma indulgência plenária, cada mês, nas condições ordinárias, a quem tivr recitado este ato todos os dias do mês.

( Dado em Roma na Sagrada Penitenciaria a 31 de julho de 1923  e a 23 de dezembro de 1935)





POESIA DE SANTA TERESINHA: viver de amor

15 09 2009

Esta poesia foi escrita por nossa querida Santa Teresinha do Menino Jesus em 5 de fevereiro de 1895 e no dia 9 de junho deste mesmo ano na plenitude de sua vida espiritual se oferece como Vítima ao Amor Misericordioso e escreve o Ato de Oferenda.  Depois o publicarei na íntegra.

 

Santa Teresinha

VIVER DE AMOR

No entardecer do Amor, falando sem figuras,
Assim disse Jesus: “Se alguém me quer amar,
Saiba sempre guardar minha Palavra
Para que o Pai e Eu o venhamos visitar.
Se do seu coração fizer Nossa morada,
Vindo até ele, então, haveremos de amá-lo
E irá, cheio de paz, viver
Em Nosso Amor!”
Viver de Amor, Senhor, é Te guardar em mim,
Verbo incriado, Palavra de meu Deus,
Ah, divino Jesus, sabes que Te amo sim,
O Espírito de Amor me abrasa em chama ardente;
Somente enquanto Te amo o Pai atraio a mim.
Que Ele, em meu coração, eu guarde a vida inteira,
Tendo a Vós, ó Trindade, como prisioneira
Do meu Amor!…

Viver de Amor é viver da Tua vida,
Delícia dos eleitos e glorioso Rei;
Vives por mim numa hóstia escondido,
Escondida também por Ti eu viverei!
Os amantes procuram sempre a solidão:
Coração, noite e dia, em outro coração;
Somente Teu olhar me dá felicidade:
Vivo de Amor!

Viver de amor não é, nesta terra,
A nossa tenda armar nos cumes do Tabor;
É subir o Calvário com Jesus,
Como um tesouro olhar a cruz!
No céu eu viverei de alegrias,
Quando, então, todo sofrimento acabará;
Mas, enquanto exilada, quero, no sofrimento
Viver de Amor!

Viver de Amor é dar, dar sem medida,
Sem reclamar na vida recompensa.
Eu dou sem calcular, por estar convencida
De que quem ama nunca em pagamento pensa!…
Ao Coração Divino, que é só ternura em jorro,
Eu tudo já entreguei! Leve e ligeira eu corro,
Só tendo esta riqueza tão apetecida:
Viver de Amor!

Viver de Amor, banir todo temor
E lembranças das faltas do passado.
Não vejo marca alguma em mim do meu pecado:
Tudo, tudo queimou o Amor num só segundo…
Chama divina, ó doce fornalha,
Quero, no teu calor, fixar minha morada
E, em teu fogo é que canto o refrão mais profundo:
“Vivo de Amor!…”

Viver de Amor, guardar dentro do peito
Tesouro que se leva em vaso mortal.
Meu Bem-Amado, minha fraqueza é extrema,
Estou longe de ser um anjo celestial!…
Mas, se venho a cair cada hora que passa,
Em meu socorro vens,
A todo instante me dás tua graça:
Vivo de Amor!

Viver de Amor é velejar sem descanso,
Semeando nos corações a paz e a alegria.
Timoneiro amado, a caridade me impulsiona,
Pois te vejo nas almas, minhas irmãs.
A caridade é minha única estrela
E, à sua doce luz, navego noite e dia,
Ostentando este lema, impresso em minha vela:
“Viver de Amor!”

Viver de Amor, enquanto meu Mestre cochila,
Eis o repouso entre as fúrias da vaga.
Oh! não temas, Senhor, que eu te acorde,
Aguardo em paz a margem dos céus…
Logo a fé irá rasgar seu véu,
Minha esperança é ver-te um dia.
A Caridade infla e empurra minha vela.
Vivo de Amor!…

 Viver de Amor, ó meu Divino Mestre,
É pedir-Te que acendas teus Fogos
Na alma santa e consagrada de teu Padre.
Que ele seja mais puro que um Serafim dos céus!…
Tua Igreja imortal, ó Jesus, glorifica
Sem fechar Teu ouvido a meus suspiros;
Por ela tua filha aqui se sacrifica,
Vivo de Amor!

Viver de Amor, Jesus, é enxugar Tua Face
E obter de Ti perdão para os pecadores.
Deus de Amor, que eles voltem à Tua graça
E para todo o sempre teu Nome bendigam.
Ressoa em meu peito a blasfêmia;
Para poder apagá-la estou sempre a cantar:
“Teu Nome sagrado hei de amar e adorar;
Vivo de Amor!…”

Viver de Amor é imitar Maria,
Banhando, com seu pranto e com perfumes raros,
Os pés divinos que beijava embevecida,
Para, depois, com seus cabelos enxugá-los…
Levanta-se, a seguir, quebra o vaso
E Tua doce Face perfuma…
Mas Tua Face eu só perfumo, bom Senhor,
Com meu Amor!

Viver de Amor, estranha loucura”,
Vem o mundo e me diz, “pára com esta glosa,
Não percas o perfume e a vida que é tão boa,
Aprende a usá-los de maneira prazerosa!”
Amar-Te é, então, Jesus, desperdício fecundo!…
Todos os meus perfumes dou-te para sempre,
E desejo cantar, ao sair deste mundo:
“Morro de Amor!”

Morrer de Amor é bem doce martírio:
Bem quisera eu sofrer para morrer assim…
Querubins, todos vós, afinai vossa lira,
Sinto que meu exílio está chegando ao fim!
Chama de Amor, vem consumir-me inteira.
Como pesa teu fardo, ó vida passageira!
Divino Jesus, realiza meu sonho:
Morrer de Amor!…

Morrer de Amor, eis minha esperança!
Quando verei romperem-se todos os meus vínculos,
Só meu Deus há de ser a grande recompensa
E não quero possuir outros bens,
Abrasando-me toda em seu Amor,
A Ele quero unir-me e vê-Lo:
Eis meu destino, eis meu céu:
Viver de Amor!!!…





Austeridades da Espiritualidade Beneditina

5 09 2009

 

 

São Bento 1

 

        São Bento de Núrsia  (480 d.C) é responsável pela maior Ordem religiosa que a história da Igreja Católica pode registrar.

A espiritualidade beneditina alimenta almas íeis há 14 séculos e nada perdeu de seu frescor inicial e continua encantando e santificando almas em pleno  século XXI!

        Um discípulo de São Bento é uma alma humilde, obediente e que sabe escutar Deus no fundo do seu coração que cultiva o silêncio. Podemos estudar as características da espiritualidade beneditina orando com a Santa Regra.

        São Bento recomenda que o dom da Paz seja a principal característica de alguém que busca por seu caminho, chegar a Deus. A Paz deve ser cultivada tanto no interior dos mosteiros como no interior de cada pessoa. Essa Paz, que é o próprio Cristo deve ser notada e transmitida de modo que todos sintam a presença de Deus e O glorifique. São Bento começa o seu caminho por onde todos um dia pretendem chegar: pela perfeição. É pela perfeição que o santo homem de Deus começa e avança sem medo, cada vez mais livre nos braços de Deus, a tal ponto que o próprio Deus envia almas sedentas para serem aperfeiçoadas por Seu servo mais fiel.

Muitos falam em austeridades na espiritualidade beneditina, sua disciplina num primeiro momento, parece ser bastante apertada, no entanto, existe certa dificuldade em despojar-se dos maus costumes do mundo, aqueles que afastam o homem de Deus. Porém, à medida que se avança no caminho da perfeição pelo qual caminhou São Bento nada parece de pesado, pelo contrário, a alma se torna cada vez mais livre. Pode ser que aos olhos de muitos exista  um rigor desnecessário mas, quando existe a verdadeira vocação nada parece fardo e tudo é um motivo para louvar a Deus.Os beneditinos aspiram Deus, vivem de Deus e é por isso que São Bento na Santa Regra nos expõe cada detalhe para que melhor se possa servir a Deus.

Ofício Divino – ocupa lugar de destaque no cotidiano beneditino; São Bento recomenda que nada se anteponha a Cristo, é tão grande seu amor  ao Ofício Divino que o chama de Obra de Deus. Não se trata de meras orações repetidas são os Salmos cantados, Jesus cantou os Salmos –Mt 14,26. É o momento mais sublime da vida beneditina.

A Oração – outro ponto notável é a dedicação à oração, de  modo que o santo pede para que apenas não se faça oração mas se permaneça em oração – no Ofício Divino deve-se considerar estar em toda parte a presença de Deus RB 19,1 e ainda que tudo se faça sob a luz RB 41,9. Recomenda várias vezes a oração. Quando um irmão tem a necessidade de ausentar-se do mosteiro deve pedir as orações dos outros. A oração é aplicada quando se corrige um irmão incorrigível. Quando se esgotam os meios da correção fraterna, quando a nossa humanidade pensa que ele aplicará um castigo, o santo recorre surpreendentemente à oração como o meio mais importante de correção, com a oração o irmão “enfermo” é entregue diretamente Àquele que o pode salvar. RB 28.

Os Estudos- é admirável a entrega que os íeis beneditinos tem aos estudos, a Ordem de São Bento é muito culta. O santo não quer seus discípulos entregues a ociosidade e pede que nos momentos livres se dediquem aos estudos da Sagradas Escrituras e aos estudos em geral. É aí que se aplica a Lectio Divina, método de oração bastante antigo mas sempre atual.

O Trabalho – como a espiritualidade beneditina é contra a ociosidade e o trabalho é tão citado por São Paulo, que deve ser santificado pela oração ininterrupta.

        Existe ainda três pilares que sustentam a espiritualidade beneditina que merecem destaque: a humildade, a obediência e o silêncio. Pela humildade se obtém o favor de Deus e o progresso no caminho da salvação; pela obediência se reconhece o senhorio de Jesus e a vontade de Deus impressa nos seus superiores que são seus representantes e pelo silêncio é possível contemplar Deus, estar disponível e mais atento ao apelo do Espírito Santo no fundo da nossa alma.

 

O mais interessante é que esse modelo de espiritualidade é acessível a qualquer pessoa que se sinta chamada à comunhão profunda com o Cristo, São Bento estende-a a qualquer pessoa, não é algo reservado apenas aos religiosos de vocação à vida consagrada aliás, todos nós somos chamados a ser religiosos no mundo também.

São Bento, rogai por nós!





Mas afinal, o que é Filosofia?

4 09 2009

            A definição que se encontra no Dicionário Aurélio afirma que a Filosofia significa “ estudo que visa a ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua inteireza. Razão. Sabedoria”; e para o termo Filosofar o Aurélio fornece  a seguinte de definição: “ raciocinar sobre assuntos filosóficos. Raciocinar tirando induções. Meditar. Argumentar. Discutir  com sutileza”.

            Claudino Piletti & Nelson Piletti ( 1997) informam  que o vocábulo Filosofia vem do grego Philosophien e significa em sua “estrutura verbal, amar a sabedoria, entendida como reflexão do homem acerca da vida e do mundo. A Filosofia não é a sofia mesma, ciência e sabedoria ao mesmo tempo. É somente o desejo, a procura dessa sofia. A essência da Filosofia é a procura do saber e não sua posse”.

Sendo a Filosofia a busca do saber só resta concordar com o grande filósofo Emmanuel Kant quando afirma que: “ não há filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar”. No processo  educativo a filosofia é extremamente importante; se, se quer superar o modelo Tradicional de educação, que os grandes pedagogos já comprovaram os prejuízos que tal modelo acarreta na aprendizagem, o professor deve lançar mão da Filosofia como um recurso seguro tanto para o aluno como para  o professor.

            O professor independentemente da disciplina que leciona, deve estimular o aluno a pensar por si só, a propor questões e soluções para os problemas apresentados e formá-los para que possam estender essa capacidade de reflexão a sua vida cotidiana e se tornarem capazes de interferirem na própria realidade apropriando-se dos meios científicos com segurança. Dessa forma, o professor deixa de ser um mero “ ditador  de conceitos, regras e fórmulas” para se tornar um facilitador do processo de aprendizagem e não mais enxerga o aluno como uma “tábula rasa”  e sim como um ser em desenvolvimento, com sua cultura própria, dentro de uma sociedade real e que precisa ser educado para atuar na realidade em que vive.

            De acordo com Demerval Saviani a reflexão filosófica exige disciplina e essa disciplina exige três requisitos básicos e de suma importância: a Radicalidade, o Rigor e a Globalidade. A Radicalidade pode ser entendida como a reflexão profunda que vai até as origens, as raízes da questão em análise isto é, até os seus fundamentos. O Rigor é compreendido como uma superação da sabedoria popular, ou seja, deve-se proceder com o rigor dos métodos de investigação sistematicamente determinados tendo sempre em vista que, generalizações apressadas não levam a lugar nenhum. E por fim a Globalidade ou a Reflexão de Conjunto que visa analisar o problema, não de modo parcial, mas numa perspectiva de conjunto relacionando-se o aspecto em questão com os demais aspectos do contexto em que está inserido. É aqui que a Filosofia se distingue da Ciência. A Filosofia não tem objeto determinado, ela distingue os aspectos da realidade de natureza problemática, seu objeto de estudo é o problema. Procura o problema onde ele está e é por isso que a Filosofia é busca. No entanto abre caminho para a Ciência, uma vez diagnosticado através da reflexão o problema, torna-se possível sua delimitação na área de determinada ciência, que poderá então analisá-lo e/ou até solucioná-lo.

 

BIBLIOGAFIA

  1. FERREIRA, A. B. de H. Mini dicionário Aurélio. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 4ª ed. 2000.
  2. PILETTI, N. & PILETTI, C. Filosofia e História da Educação. São Paulo. Ática.  5ª ed.  1987.
  3. SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo.

             Cortez, 1983.

 








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